Reportagens
05-08-2010 ////////
Nosso Lar
Trilha sonora luxuosa com Philip Glass e OSB
“Em geral, a trilha sonora fica com o que sobra do orçamento, mas dessa vez foi diferente. Trabalhamos com conforto”. A frase de Guto Graça Mello, diretor musical de “Nosso Lar” e responsável por trilhas sonoras de 38 filmes nacionais, revela uma das grandes apostas feitas pela produção do filme, que estreia no dia 3 de setembro. O investimento pode ser simbolizado pela presença de duas instituições de peso nos créditos: Phillip Glass e a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).
Um dos maiores compositores americanos vivos, Glass é responsável por temas e trilhas de quase uma centena de filmes, entre eles “Kundun”, “As Horas” e “Notas sobre um Escândalo”, pelos quais foi indicado ao Oscar, além de “O Show de Truman”, vencedor do Globo de Ouro, e “Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos”, que rendeu a Palma de Ouro em Cannes pela contribuição artística. Para “Nosso Lar”, produziu oito temas que foram adaptados à métrica das cenas por Guto e sua equipe, e executadas pela OSB, que pela primeira vez em sete décadas de história gravou para uma produção cinematográfica.
Trilhas americanas
“Nunca havia trabalhado com composições de outra pessoa e mexi muito no que ele fez. No início fiquei assustado. Cheguei aos Estados Unidos para mostrar a ele, preocupado, mas Philip gostou muito, o que me deixou muito envaidecido”, confessa humildemente o tarimbado Guto, complementando: “É uma trilha basicamente sinfônica, como as grandes trilhas americanas. Não é aquela coisa miúda que costuma ser feita por aqui”.
A “coisa miúda”, no caso, é a contratação de poucos músicos que, em alguns casos, gravam diversas vezes os mesmos trechos com seus instrumentos. As gravações são sobrepostas para simular uma orquestra. A qualidade, porém, não pode ser comparada à da execução de uma orquestra do porte da OSB. “No mundo inteiro, poucas produções têm esse privilégio porque é caro. Foi uma chance ímpar para nós, ainda mais com músicas do Glass. Espero que isso aconteça outras vezes”, conta o maestro Marcos Araraki, regente assistente da orquestra, citando um clássico ao analisar o trabalho do americano: “Ele conseguiu captar bem o clima das cenas. Há filmes em que a trilha provoca reações e faz toda a diferença, como ‘Psicose’. Em ‘Nosso Lar’, o Glass constrói bem a emoção”.
Glass era um sonho
As participações do renomado compositor e da OSB foram a concretização de um desejo tratado inicialmente como sonho pelo diretor Wagner de Assis. Até o momento em que a produtora Iafa Britz resolveu pagar para ver e ligou para Glass. “Liguei para ele, que gostou do projeto e fez oito temas belíssimos. Não fomos atrás dele por ser um grande nome internacional, pois há grandes músicos no Brasil. A escolha foi pelo estilo. Ele foi o primeiro em que pensamos”, explica Iafa, que tem um pôster do compositor na parede de seu escritório há anos.
Com músicas de Glass, a produtora e Wagner concluíram que precisariam de uma orquestra e procuraram a OSB. Como, nos Estados Unidos, os temas são compostos livremente, sem preocupação com o tempo das cenas, foi preciso chamar um profissional com experiência suficiente para editar a música do americano, caso de Guto. Iafa diz que, graças ao desejo de todos de participar do projeto, o montante gasto ficou dentro da realidade brasileira: “Quando você negocia valores com essas pessoas, elas sabem que não estão lidando com Hollywood. O percentual gasto com a trilha foi pouco superior ao da média dos longas nacionais. No fundo, o Glass e a OSB participaram porque quiseram. Foi uma novidade para todos”.
Confira a galeria de fotos de "Nosso Lar".
Vídeo mostra o empenho dos atores, a gravação da trilha sonora pela OSB e o antes e depois das cenas modificadas em computador.
Diretor e equipe explicam como transformaram as locações para a filmagem, além de dar detalhes sobre a maquiagem e o figurino.
Veja o trailer de "Nosso Lar".
Confira entrevistas com Renato Prieto, o André Luiz de "Nosso Lar" e Werner Schünemann, além de matéria com Othon Bastos.
Veja vídeo em que os atores contam a história do filme.
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