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Reportagens

Marcio Vito, um dos atores premiados em Paulínia/Divulgação

05-08-2010 ////////

5x Favela - Agora por Nós Mesmos

Conheça os atores premiados no Festival de Paulínia

Exibido em Cannes e grande vencedor do Paulínia Festival de Cinema, “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”, uma coprodução Globo Filmes, tem entre seus méritos o trabalho competente de atores conhecidos como Hugo Carvana, Thiago Martins, Gregório Duvivier, Silvio Guindane, Dandara Guerra, Flávio Bauraqui e Roberta Rodrigues. As atuações premiadas pelo júri do evento paulista, porém, couberam a nomes menos familiares para o grande público: Dila Guerra e Márcio Vito.

Integrantes do mesmo episódio - “Acende a Luz”, dirigido por Luciana Bezerra -, ambos têm quilometragem na profissão. Moradora do Vidigal, comunidade da Zona Sul carioca, Dila iniciou a carreira nos anos 80, quando chegou a fazer alguns trabalhos para a TV e musicais no teatro, além dos vocais da banda O Espírito da Coisa. Ultimamente, vinha se apresentando em empresas e em eventos sindicais junto com a Cia. De Emergência Teatral. “Minha carreira estava um pouco estagnada. Até que, em 2007, incentivada pela Luciana, me inscrevi na oficina de interpretação do filme. Tinha muita gente boa lá, corajosa na hora de improvisar. Ganhar o papel deu uma alisada na autoestima”, lembra a atriz de 48 anos, que havia feito sua estreia no cinema em 2006, no curta “Mina de Fé”, também dirigido por Luciana.

A autoestima viria a ficar realmente lustrosa em julho deste ano, quando Dila recebeu o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante em Paulínia pela personagem Lica, moradora do Vidigal que passa o Natal sem eletricidade em casa, mas, junto com os vizinhos e com o técnico da concessionária responsável (Márcio Vito), não deixa o astral cair. O papel, seu segundo no cinema, não poderia ser mais apropriado já que, em 2008, a atriz viveu a mesma situação e precisou fritar rabanada na chama das velas. Absolutamente inesperado, o prêmio deixou a atriz eufórica. “Fiz uma farra no palco. Tinha uma escola de samba passando no meu coração”, conta ela, que não queria ir à cerimônia inicialmente e foi convencida quando soube que a passagem era aérea.

Agora, Dila espera receber mais convites para atuar no cinema e na TV: “Me chamou com um roteiro legal, estou dentro”. Trata-se do caminho que vem sendo trilhado por Márcio desde o final da década de 90, quando o ator começou a fazer participações na telinha e na telona. Na TV, foi o Canhoneiro Narigudo do quadro A Ponte do Rio que Cai, do “Domingão do Faustão”, além de ter feito episódios de “Malhação”, “Da Cor do Pecado”, “A Grande Família”, “Sob Nova Direção”, “A Diarista”, “Paraíso Tropical” e “Beleza Pura”. Recentemente, interpretou o “Samu” de Caminho das Índias. No cinema, fez parte do elenco de “A Ostra e o Vento”, “Quase Dois Irmãos”, “Brasília 18%” e “Meu Nome Não é Johnny”. Mas foi o trabalho ao lado de Luciana (que também é atriz) em “No meu Lugar” (2009), de Eduardo Valente, que valeu o convite para uma leitura do roteiro. “Em ‘No meu Lugar’, tive meu primeiro papel maior no cinema e torci para não ser um caso isolado. Quando peguei o roteiro de ‘Cinco Vezes Favela’, vi que tinha esse personagem de fora da comunidade e achei que poderia contribuir”, diz Márcio, que, como os atores citados no primeiro parágrafo, não passou pelas oficinas.

Para ele, o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante é um reconhecimento a todo o elenco do episódio “Acende a Luz” já que seu personagem, o eletricista boa-praça Lopes, contracena o tempo todo com diversos personagens. “Foi um jogo de vôlei. Ensaiamos muito e estávamos bem entrosados. E isso pode ser estendido aos outros episódios. Todos foram muito profissionais e, por isso, é ótimo o filme chegar aos cinemas com sete prêmios”, que considera um privilégio ter trabalhado no projeto.
 

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