Reportagens
29-07-2010 ////////
Cinco Vezes Favela
Saiba como tudo começou
Exibido no Festival de Cannes e eleito o melhor filme do Festival de Paulínia, “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos” vem sendo apresentado como um filme que rompe estereótipos ao mostrar as comunidades carentes a partir do olhar de sete jovens cineastas formados por projetos sociais. O que pouca gente sabe é que o “Nós Mesmos” do subtítulo não se refere apenas aos sete diretores, mas também a cerca de 200 moradores de comunidades e bairros de baixa renda que participaram das filmagens depois de passarem por oficinas e palestras ministradas, entre outros, por craques do cinema nacional como Nelson Pereira dos Santos, Walter Salles, Daniel Filho, João Moreira Salles e Fernando Meirelles.
O longo e complexo processo de produção começou em 2007 com oficinas de roteiro realizadas em cinco ONGs que já desenvolviam projetos ligados ao audiovisual: Nós do Morro, do Vidigal; AfroReggae, de Parada de Lucas; Cinemaneiro, da Lapa; Cufa, da Cidade de Deus, e Observatório de Favelas, do Complexo da Maré. Cada turma, formada por cerca de 50 pessoas, se debruçou sobre uma história eleita para transformá-la em um roteiro de curta. Delas, também saíram os sete diretores, escolhidos com base na participação, no currículo pregresso na área e na intuição dos coordenadores do projeto e produtores do filme, entre eles, o cineasta Cacá Diegues.
Enquanto isso, a produção corria atrás de empresas que pudessem patrocinar o longa, orçado em R$ 4 milhões. “A primeira parceira foi a Globo Filmes”, lembra Renata Magalhães, sócia de Cacá na produtora Luz Mágica. A etapa seguinte foi a mais complexa: no início de 2009, foram realizadas oficinas de direção, figurino, fotografia, arte, edição e interpretação, nas quais foram selecionados os integrantes das equipes técnicas que trabalharam nas filmagens, bem como do elenco. Durante quase dois meses, mais de 200 jovens escolhidos entre 600 inscritos frequentaram diariamente (incluindo sábados e domingos) as aulas noturnas oferecidas em um casarão em Laranjeiras. Todos receberam vale transporte e auxílio para alimentação durante o período. Os professores das oficinas foram os responsáveis pelas equipes durante as filmagens, iniciadas pouco depois.
“Logo que tomei contato com o cinema no Núcleo Audiovisual do Nós do Morro, há 16 anos, fiquei fascinado. Vi a minha história se repetindo durante as oficinas e as filmagens do ‘Cinco Vezes Favela’. Pessoas com um brilho no olhar e um prazer enorme por estar no set, querendo muito agarrar a oportunidade. É uma iniciativa que deveria se multiplicar. De qualquer forma, acho que o filme abrirá espaço para os inúmeros projetos voltados para o audiovisual que existem no Rio e no Brasil”, avalia Luciano Vidigal, diretor de “Concerto para Violino”, um dos curtas de “Cinco Vezes Favela”.
Saiba mais sobre o filme.
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