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Reportagens

As irmãs Cajazeiras: Zezé Polessa, Andréa Beltrão e Drica Moraes/Divulgação

08-07-2010 ////////

O desfile das musas de Odorico

Cláudia Kopke é quem assina o figurino de O Bem Amado, que estreia em 23 de julho

Há filmes conhecidos pelos efeitos especiais, pela fotografia ou pela trilha sonora. “O Bem Amado”, que estreia no dia 23 de julho, está no grupo dos que se destacam também pelo figurino. Afinal, se as roupas traduzem a personalidade de quem as veste bem como o imaginário de uma época, é de se esperar que chamem a atenção os trajes de personagens deslumbradas e caricatas de uma comédia ambientada em uma pequena cidade nordestina na década de 60.

Mais ainda se o diretor do filme é o espirituoso Guel Arraes, responsável por obras como “O Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro”. “Se não fosse uma comédia do Guel, eu não poderia ter feito um figurino tão exagerado, tão barroco. Brincamos com essa coisa do mau gosto que resulta do deslumbre das pessoas com o status social e com tendências que chegam de fora”, conta Cláudia Kopke, figurinista do filme e de alguns dos grandes sucessos da Retomada do cinema brasileiro como “2 Filhos de Francisco”, “Eu, Tu, Eles”, “Cazuza – O Tempo não Para” e “Tropa de Elite”.

O toque de humor é flagrante nos modelitos das Irmãs Cajazeiras, que tentam seduzir o prefeito Odorico Paraguaçu, protagonista da história interpretado por Marco Nanini. “Elas equivalem às peruas de hoje”, diz Cláudia, que construiu os looks a partir dos valores de cada uma delas. Patriota e imbuída de forte espírito cívico, Dorotéia, a primogênita vivida por Zezé Polessa, ganhou trajes inspirado na arquitetura modernista de Brasília e até chapéu que simula as cúpulas do Congresso Nacional. A atriz sugeriu ainda que a personagem tivesse seios e nádegas fartos, por isso, gravou todas as suas cenas com enchimentos de espuma no sutiã e com uma espécie de bumbum falso. Já a romântica personagem de Andréa Beltrão, Dulcinéia, usa vestidos tomara que caia com estampas florais e pregas, bem ao estilo anos 50, além de flores no cabelo. Por fim, a caçula Judicéia, interpretada por Drica Moraes, é a mais ousada das três. Sensual, ela usa peças coladas ao corpo, bem como estampas de animais e plumas. É a única que aparece de lingerie, embora todas usem sutiãs “pontudos” comuns na época.

“Foi uma delícia fazer as irmãs. Mesmo porque eram as únicas mulheres além da Violeta, personagem da Maria Flor. Já com os homens, cortei um dobrado. Eu havia trabalhado com o Guel na TV, mas no cinema a coisa fica ainda mais burilada. Para me fazer entender a alma do Dirceu Borboleta (Matheus Nachtergaele), por exemplo, ele leu duas páginas de um texto de Tchecov para mim. Na hora, não imaginava como faria”, lembra a figurinista.

Outro desafio foi transportar para os figurinos as pequenas modificações sofridas por Odorico, que perdeu o jeitão de coronel presente na peça de Dias Gomes, e Zeca Diabo, pistoleiro vivido por José Wilker. No primeiro caso, Claudia buscou duas referências para montar um visual que se aproxima de um traje de gala: a famosa foto da inauguração de Brasília em que Juscelino Kubitschek, João Goulart e Barros Neto caminham de fraque com prédios em construção ao fundo, além dos trajes usados no Derby de Epsom, tradicional corrida de cavalos disputada na Inglaterra. No caso do matador, foram usadas dezenas de santinhos no forro do paletó que, embora surrado, é de boa qualidade já que a ideia foi construir um Zeca Diabo menos simplório que o interpretado por Lima Duarte na década de 70. “Foi um grande desafio pois o Guel tem uma visão muito particular de cada personagem”, conclui a figurinista que acaba de completar 51 anos e fez por merecer os parabéns.
 

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