Reportagens
11-05-2010 ////////
Chico Xavier
Roteirista do filme conta que artifícios usou para contar a história do médium
Imagine escrever um roteiro que mostre três diferentes fases da vida de uma pessoa, entrecortadas por uma entrevista e uma trama paralela. Agora suponha que a pessoa em questão seja Chico Xavier, personalidade marcante do século 20 que desperta paixões e polêmicas. Para as mais de 3 milhões de pessoas que viram o filme, pode parecer fácil, mas Marcos Bernstein, roteirista de “Chico Xavier”, cortou um dobrado. Para ele, a simplicidade do médium contrasta com a complexidade de sua trajetória.
“Não foi fácil pelas características do Chico. Há personagens que têm um fato marcante na vida. Nesse caso, você consegue apenas dar uma pincelada nos outros períodos. Com o Chico é diferente. De cara, tínhamos de abordar a fase em que ele se tornou mais conhecido, quando estava mais velho e psicografava cartas para mães que haviam perdido os filhos, por exemplo. Mas a infância é o período mais dramático da vida dele. E também consideramos importante mostrar a fase adulta, em que ele se afirma e começa o trabalho filantrópico”, explica Marcos.
A trajetória do médium tem como fio condutor o programa “Pinga Fogo”, no qual ele é questionado durante horas por jornalistas. Há ainda uma sub-trama, protagonizada pelo diretor da atração televisiva, Orlando (Tony Ramos) e sua mulher, Glória (Cristiane Torloni), que vivem momento conturbado do casamento devido à perda do filho. O roteirista conta que os artifícios foram usados para mostrar como Chico Xavier atingia as pessoas das mais diferentes maneiras.
“O público identifica-se muito com o casal. Poderíamos ter feito algo mais tradicional, contando apenas a vida do Chico a partir do que ele fala no programa, mas ficou mais interessante com a inclusão da trama do Orlando e da Glória”, diz Marcos, não por acaso.
O diretor de TV Orlando, ateu que revê seu ceticismo e termina por acreditar na mediunidade de Chico, personifica, grosso modo, a postura de muitos brasileiros não-kardecistas diante do líder espírita. Entre eles, o próprio roteirista e Daniel Filho, diretor do filme. “O Orlando não se converteu, apenas acreditou no que o Chico psicografou. Este personagem é importante porque deixa evidente a possibilidade de um ateu aceitar aquilo que não se pode explicar. Afinal, mistérios existem. É um pouco absurda mesmo a existência do Universo e o fato de estarmos aqui. Por isso, ninguém acusa o Chico de impostor, mesmo que não acredite em espíritos ou professe outras religiões. Não tentamos explicar o que é aquilo. Acho que o ser humano nunca vai explicar”, arrisca Marcos.
Saiba mais sobre "Chico Xavier".
Confira entrevista exclusiva do diretor Daniel Filho.
Leia entrevista exclusiva de Marcel Souto Maior, autor da biografia do médium.
Assista ao trailer e às imagens de bastidores do filme.
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