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Reportagens

23-02-2010 ////////

Aos 80 anos e sem problemas de memória

Cinédia comemora aniversário e a finalização da restauração de sete filmes, entre outros projetos

Produtora de clássicos da cinematografia nacional e responsável pelo início da industrialização do setor no país, a Cinédia completa, no próximo dia 15 de março, 80 anos de inestimáveis serviços prestados à sétima arte. Hoje voltada para a preservação da memória deste importante capítulo que escreveu na história do cinema brasileiro, a empresa comemora o iminente lançamento de cópias restauradas de sete longas-metragens filmados entre 1936 e 1950, entre outras novidades.

Dois estão entre os mais conhecidos produzidos nos estúdios de São Cristóvão, no Rio de Janeiro: “Bonequinha de Seda” (1936), de Oduvaldo Vianna, e “Berlim na Batucada” (1944), de Luiz de Barros. Considerada a primeira superprodução nacional e um dos filmes mais importantes de sua década, Bonequinha inaugurou uma série de inovações como o uso da grua e de maquetes. Nele, a jovem Marilda (Gilda de Abreu, convidada após a recusa de Carmem Miranda), supostamente recém-chegada de Paris, é apresentada à sociedade carioca, que se rende à finesse da moça sem saber que ela jamais estivera na Europa. "Berlim" também traz uma crítica bem-humorada ao debochar das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial, que prejudicou a produção cinematográfica também por aqui. Estrelam a película Procópio Ferreira, Francisco Alves e o Trio de Ouro, formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas.

“’Bonequinha” ficou apenas cinco semanas em cartaz no Cine Palácio e saiu por imposição de estúdios estrangeiros. Já “Berlim” é um musical belíssimo que traz o Francisco Alves como o malandro Zé Carioca”, conta Alice Gonzaga, presidente do Instituto para a Preservação da Memória do Cinema Brasileiro, diretora da Cinédia e filha de seu fundador, o jornalista Adhemar Gonzaga.

Os outros cinco filmes – “Obrigado, Doutor” (1948), “Estou Aí?” (1949), “Poeira de Estrelas” (1948), “Dominó Negro” (1950) e “A Inconveniência de Ser Esposa” (1950) – resgatam a valiosa contribuição como diretor e produtor de Moacyr Fenelon, um dos fundadores da famosa Atlântida Cinematográfica, conhecido também pelo trabalho de sonorização de filmes como “Alô, Alô. Carnaval!” (1936), de Adhemar Gonzaga. Em agosto, as películas farão parte de mostra que homenageará o profissional no Instituto Moreira Salles.

O trabalho de restauração, iniciado há cerca de dois anos, está em fase de finalização e deve se encerrar nos próximos meses. As sete cópias poderão ser lançadas também em DVD e Blue-Ray. Elas se juntarão aos outros 17 longas já recuperados (a Cinédia produziu 55 entre 1930 e 1952) que serão exibidos em inúmeros festivais pelo país. Entre eles, o maior sucesso da produtora, “O Ébrio” (1946), de Gilda de Abreu, uma das maiores bilheterias do cinema nacional até hoje.

Os planos não param por aí. Em abril, a Cinédia começará a oferecer cursos sobre cinema e palestras, dando início ao projeto de transformar em centro cultural o casarão em que funciona hoje, em Santa Teresa. Ainda em 2010, a empresa deve dar o pontapé na digitalização de aproximadamente 90 mil documentos de seu acervo. São fotos, roteiros originais e diários de filmagem, entre outros, reunidos desde o início do século por Adhemar e Alice.

Leia aqui um perfil de Alice Gonzaga

 

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