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Reportagens

12-02-2010 ////////

Uma grande estreia

Beto Brant lança “O Amor Segundo B. Schianberg”

O cineasta paulista Beto Brant, conhecido pelos filmes “Os Matadores”, de 1997, e “Os Invasores”, de 2001, estreia hoje o seu novo longa-metragem, “O Amor Segundo B. Schianberg”. O filme é uma proposta diferente dos trabalhos anteriores do diretor. A direção foi realizada através de e-mails, mensagens de texto e telefone, para que os atores tivessem o mínimo de contato possível com a equipe do filme. A princípio, as gravações foram realizadas para se tornarem um reality show para a TV Cultura e para o SESC TV, mas depois de exibidas no canal acabaram sendo editadas para dar origem ao filme. Os atores foram selecionados a dedo: Marina Previato é uma videoartista que expunha seus trabalhos através da internet e Gustavo Machado um ator de Teatro. Na entrevista, Beto Brant fala do projeto e da inspiração para montar o filme, que foi baseado em um personagem de Marçal Aquino.

Como surgiu o projeto do filme?
O projeto do filme se originou em uma série para a TV Cultura e para o SESC TV. Era um programa de experimentações de dramaturgia. Resolvemos fazer um reality show, mas ao invés de colocar pessoas se digladiando a gente se propôs a colocar os dois e monitorar de longe. Ela é uma videoartista e ele um ator, em liberdade total de ir e vir. Eles não estavam confinados e podiam entrar e sair do apartamento a hora que quisessem. Eu me instalei no mesmo prédio que eles estavam, mas em outro bloco. E nos comunicávamos através de e-mails, torpedos e telefone. É uma experiência dramatúrgica sem roteiro prévio. Depois da série, fomos buscar um filme. Reduzimos 80 minutos da série de TV e virou o filme. As filmagens terminaram na quarta-feira de cinzas do carnaval do ano passado.

E como aconteceu a escolha dos atores, a Marina Previato e o Gustavo Machado?

O Gustavo é um ator e estava em cartaz em duas peças aqui em São Paulo. E a Marina é uma videoartista. Achei os vídeos dela no youtube, coloquei o nome dela no Google e nos comunicamos por e-mail. Ela estava fazendo mochilão na Europa e voltou porque topou o projeto. Ela tem interesse em cinema e já frequentou a Academia Internacional de Cinema. Além disso, achei que ela teria a personalidade que eu precisava para conduzir a proposta, o jogo. Ela foi morar na casa um tempo antes de começarem as filmagens, para se adaptar.

E como foi a experiência de dirigir os atores de longe? Vocês se instalaram em apartamentos perto dos dois e ficaram observando através das câmeras, certo? Foi difícil passar os sentimentos através de torpedo, e-mail e celular?
Para mim foi bacana. Fomos montando na hora e jogando para o final cut. Eu não tive muito tempo de elaborar a edição na série de TV, mas no filme eu consegui apurar isso melhor e trabalhar mais em cima das imagens que tínhamos. A ideia era que os atores tivessem o mínimo de contato possível com a equipe, então eu deixava acontecer e acompanhava pelas câmeras, e quando eu via que estava acontecendo algo interessante eu mandava instruções por e-mail, por torpedo ou telefone. E as palavras, mesmo que por e-mail, torpedo ou telefone, transmitem emoção. A sua imagem estar escondida também é leitura.

E como foi a reação dos atores em relação a isso?
Eles foram artistas valentes e despojados. O grande trunfo do filme, eu acho, é mostrar que as pessoas permitem que algumas coisas sejam mostradas e que outras sejam preservadas.

Como você explica a influência do livro “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”, de Marçal Aquino? E do Personagem Benjamin Schianberg?
O livro foi um ponto de partida. Eu estava lendo livros do Marçal Aquino e me interessei pelo personagem do professor Schianberg, deste livro. Este personagem observava um casal com consciência das câmeras. Me interessei e resolvi partir daí para fazer o filme.

E seus próximos projetos no cinema?

Meu próximo projeto é o próprio filme do Marçal, “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, que eu vou começara a filmar agora em agosto, em Belém e no Rio de Janeiro.
 

Veja aqui o trailer do filme

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