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Reportagens

Letícia Spiller: atriz de "Viver a VIda" vai produzir cinema

05-03-2010 ////////

O Cinema é das mulheres

Elas atuam produzem, dirigem e marcam presença cada vez maior

Filha de Adhemar Gonzaga, fundador da Cinédia e responsável por clássicos da cinematografia nacional como diretor ou produtor, Alice Gonzaga começou a frequentar os sets de filmagem aos 5 anos de idade. Apesar da paixão pela sétima arte, a qual dedicou toda a sua vida, preferiu não se aventurar por trás das câmeras. “Achava que dirigir filmes não era apropriado para uma mulher”, conta ela aos 75 anos.

Na época, Alice acompanhou de perto o trabalho de Gilda de Abreu, diretora do megasucesso “O Ébrio” (1946) e uma das precursoras na função. Ainda assim, não poderia supor que viveria para ver o setor do audiovisual caminhar a passos largos para se tornar território feminino. “O cinema já foi patriarcal no Brasil, mas, na última década, a atuação da mulher se intensificou muito. Hoje, acredito que 40% dos profissionais do setor sejam do sexo feminino”, afirma Hernani Heffner, professor da cadeira de História do Cinema Brasileiro na Puc-Rio.

Tornarem-se maioria nas equipes de filmagem parece ser apenas uma questão de tempo. Nas faculdades de cinema, elas já estão em maior número. A turma de Hernani, por exemplo, tem 29 mulheres e dois homens. O novo conselho diretor do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual (SICAV), presidido pela produtora Mariza Leão e inteiramente composto por mulheres, é outro indício do girl power.

Assim como em diversos outros segmentos, o chamado sexo frágil deixou de ser caso isolado na indústria cinematográfica brasileira a partir década de 60, época das revoluções sexual e feminista. De lá para cá, a geração de Lucy Barreto, Helena Solberg, Tizuka Yamasaki e Mariza Leão assistiu à multiplicação das profissionais do ramo. Katia Lund ("Cidade de Deus"), Sandra Kogut ("Passaporte Húngaro"), Laís Bodanzky ("Bicho de Sete Cabeças"), Eliane Café ("Os Narradores de Javé"), Carolina Jabor ("O Mistério do Samba"), Anna Muylaert ("É Proibido Fumar"), Mini Kert ("Contratempo") e Izabel Jaguaribe ("Paulinho da Viola – Meu Tempo É Hoje") são alguns dos muitos nomes que representam a nova geração de cineastas. A conta exclui atrizes que vêm se aventurando atrás das câmeras como Malu Mader ("Contratempo"), Patrícia Pillar ("Waldick Soriano - Sempre no Meu Coração") e Letícia Spiller ("O Casamento de Gorete", ainda em produção). Isso sem falar em Mariana Ximenes e Andrea Beltrão.

“Resolvi produzir porque eu e o Paulo Vespúcio, meu sócio e diretor do filme, queríamos fazer nossos próprios filmes em vez de ficar esperando projetos bacanas. ‘O Casamento de Gorete’ é uma fábula gay. O mercado, no momento, tem possibilitado isso”, conta Letícia, que nutre o desejo de interpretar a heroína Anita Garibaldi em um projeto posterior. Dessa vez, porém, com direção feminina: “Existem homens com alma feminina, mas adoraria que uma mulher dirigisse. Ainda mais por também ser um filme de guerra, gênero pouco explorado por mulheres”, explica ela, que vem estudando roteiros.

 

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