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Filmes

Danton Mello

04-12-2009 ////////

Ouro Negro

Saga do petróleo no Brasil reeditada nas telas

Pela primeira vez, a história de uma das maiores riquezas de nosso país chega aos cinemas. Em época de novas descobertas e polêmicas geradas em torno do pré-sal, Isa Albuquerque estreia o filme “Ouro Negro, A Saga do Petróleo Brasileiro”, que revela a aventura que levou à descoberta do petróleo no Brasil. Livremente inspirado em fatos e personagens reais, o longa traz no elenco nomes como Danton Mello, Thiago Fragoso, Luisa Curvo, Maria Ribeiro, Odilon Wagner, Chico Diaz, Daniel Dantas, entre outros.

Isa Albuquerque conta que o interesse pelo assunto começou em 1992, quando ela e seis aspirantes à roteirista começaram a se reunir para criar histórias. Em um destes encontros, Ana Lúcia Andrade, aluna da Uni Rio, revelou ser bisneta do alemão radicado no Brasil, José Bach, o primeiro a buscar petróleo no país: “Ele foi morto em 1918 em circunstâncias misteriosas, após haver se negado a vender os estudos desenvolvidos por ele sobre o potencial petrolífero na região de Alagoas”, diz. A partir daí, Isa começou uma pesquisa que demorara dez anos para ser concluída em bibliotecas e arquivos, porém a bibliografia disponível era bem escassa. Mesmo assim, a diretora se deparou com histórias surpreendentes, que a motivaram ainda mais a fazer um filme sobre a época: “Não tínhamos idéia de que se tratava de uma página histórica tão cheia de aventuras e personagens fascinantes. Ficamos surpresas com o rastro de suicídios de pessoas ligadas ao tema”.

A causa da morte de Bach nunca foi comprovada, mas Isa arrisca um palpite: “Nós escolhemos acreditar na teoria da conspiração, desde o início da trama por uma questão dramática. Supomos que a morte de José Bach ocorreu por conflito de interesses em sua sociedade empresarial, mas não está descartada a hipótese de outros envolvimentos”, diz.
Apesar de se tratar de um tema real, a diretora enfatiza que os personagens são fictícios. A trama pode até ter acontecido como Isa construiu, mas o roteiro é ficção. José Bach é vivido por Odilon Wagner e sua trama foi bastante romantizada. Já Danton Mello e Thiago Fragoso mostram o confronto entre os interesses públicos e privados. Albuquerque acredita que esse período da história do nosso país precisava ser contada para que possamos entender tudo o que aconteceu no mundo após a exploração do petróleo: “O tema é absolutamente original no cinema e na televisão. Em alguns momentos nos sentimos na tentação de realizar uma minissérie. Estou aberta a negociações!”, diz.
Uma das grandes surpresas de “Outro Negro” é a importante participação de Monteiro Lobato neste período importante de nosso país. O escritor não ganhou papel especial no filme; cabe a Danton Mello sintetizar a trajetória de pioneiros como ele, além do espírito empreendedor, idealista e nacionalista de uma época: “Lobato foi fundador de cerca de cinco companhias em diversos Estados. Foi um grande brasileiro, que sempre colocou claramente suas posições e por conta disso, foi preso durante três meses na Ditadura Vargas. É um personagem forte, que faz mover a roda da história”, conta.
A historia original se passa à beira-mar, em Riacho Doce, Alagoas, mas a locação escolhida para as filmagens foi Maricá, no Rio de Janeiro. Lá, foi construída uma torre de perfuração de 15 metros de altura e criada uma usina de destilação de xisto similar à montada por José Gosch, que produzia 1500 litros por dia: “Alagoas, Bahia, Acre e Rio de Janeiro foram inteiramente filmados em Maricá e aproveitamos a população local para as cenas de figuração, além de atores locais para alguns papéis”.

Na expectativa para o lançamento do filme, Isa Albuquerque revela que além de aventuras, “Ouro Negro” é também uma história de amor e diz que o filme não poderia estar mais atual, já que a descoberta do Pré-Sal levanta uma discussão em torno do petróleo e outras fontes de energia: “Estamos vivendo um novo período desenvolvimentista no Governo Lula e o petróleo ainda deve perdurar como principal fonte de energia pelas próximas décadas”, diz.

 

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