Festivais
15-06-2010 ////////
Brasileiros no Cinesul
Entre os destaques, filmes de Helena Ignez, Angello Cllementte, Gilberto Mauro e Julia Murat
Pode-se dizer que alguns dos filmes selecionados para a 17ª edição do Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo, o Cinesul, carregam forte influência ou até mesmo o DNA de cineastas cujos nomes fazem parte do hall da fama do cinema nacional: Glauber Rocha, Rogério Sganzerla, Humberto Mauro e Lúcia Murat.
Na maior parte dos casos, a ligação pode ser percebida nos sobrenomes dos realizadores, parentes que herdaram a vocação da família para o cinema. A exceção é Helena Ignez, atriz e ex-mulher tanto de Glauber quanto de Rogério, que participa da mostra competitiva de longas com “A Canção de Baal”. Nele, o poeta e cantor Baal, personagem de Bertold Brecht, abre mão de uma carreira internacional em nome de um estilo de vida anárquico que inclui vários relacionamentos. Há quem veja na película de Helena – conhecida pela atuação em filmes como “Assalto ao Trem Pagador” e “O Bandido da Luz Vermelha” – o experimentalismo dos ex-maridos. Djin Sganzerla, filha da diretora com Rogério, atua ao lado de Carlos Careqa e Simone Spoladore, que aparece em nu frontal.
Aspectos do cinema marginal de Rogério Sganzerla também poderão ser notados em “A Coluna da Paz de Carlos Prestes”, média-metragem dirigido por seu irmão mais novo, Angello Cllementte, que acompanhava o conhecido cineasta catarinense em suas filmagens, contra a vontade do pai. A produção narra a passagem do movimento revolucionário por Santa Catarina em 1925 e faz parte do Panorama Latino. Já em “Um Dia, Duas Madrugadas”, Gilberto Mauro repete o pioneirismo que caracterizou a carreira do avô, Humberto Mauro, ao filmar com um telefone celular. O trabalho, que será exibido em Bossas Musicais, mostra um encontro entre as músicas brasileira e portuguesa.
“De fato, as novas gerações estão aparecendo nesta edição do Cinesul. Como diz o ditado, “filho de peixe”... A influência da família contribui muito para isso e ajuda na trajetória destes cineastas. A imprensa informa sobre o parentesco e atrai a atenção para o trabalho deles”, explica Leonardo Gavina, organizador do Cinesul, que lembra ainda que os filmes foram selecionados entre mais de 900 inscritos.
Um bom exemplo do que Gavina diz é a carreira de Julia Murat, iniciada nos sets dos filmes da mãe, Lúcia, a grande homenageada desta edição do festival. O aprendizado sobre as diversas etapas da produção audiovisual adquirido ao longo dos anos resultou no curta “Pendular”, que poderá ser visto na mostra Romance Latino. O filme revela os ciclos da sexualidade em uma relação e já foi exibido no Festival de Tiradentes.
“Nasci no set praticamente. Graças à minha mãe e ao convívio com o cinema, resolvi seguir essa carreira, apesar de fazer filmes diferentes dos dela. Os meus são mais próximos das artes plásticas, mais subjetivos, trabalham com o tempo e não tanto com o discurso”, conta Julia, 30 anos, que acaba de filmar seu primeiro longa, “Peso da Massa, Leveza do Pão”, que retrata a decadência do Vale do Paraíba.
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