Festivais
11-05-2010 ////////
Festival de Revelações
Os cinco filmes que representam o Brasil no Festival de Cannes são dirigidos por cineastas pouco conhecidos no país
A 63ª edição do prestigiado Festival de Cannes, que começa nesta quarta-feira, dia 12, e segue até o dia 23 de maio, pode prestar um grande serviço ao cinema brasileiro: revelar uma nova geração de cineastas até então desconhecidos em seu próprio país. Isto porque os cinco filmes brasileiros selecionados - dois longas-metragens e três curtas - são dirigidos por cineastas iniciantes, alguns recém-saídos de cursos de formação na área.
É o caso de Janaína Marques Ribeiro, jornalista nascida em Brasília e criada no Ceará, que concluiu em 2008 o curso da conhecida Escuela Internacional de Cine y TV, em Cuba. Seu trabalho de graduação foi o curta “Los Minutos, Las Horas”, que recebeu menção honrosa no Festival de Havana em 2009 e será exibido na mostra Cinefoundation em Cannes, que reúne filmes provenientes de escolas de cinema. O enredo conta a história da jovem Yoli, que vive em condições bastante humildes ao lado da mãe, de quem precisa cuidar. Um dia, ela decide aceitar o convite de um homem pra sair, na tentativa de mudar sua rotina, mesmo que só por um dia.
Outros exemplos de cineastas promissores são os seis jovens oriundos de projetos sociais instalados em favelas cariocas, autores dos pequenos filmes que compõem “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”. O longa, produzido pelo veterano Cacá Diegues, traz o olhar de Luciana Bezerra, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Wavá Novais, Manaíra Carneiro, Cadu Barcellos e Luciano Vidigal sobre as comunidades cariocas e será exibido em uma sessão especial.
Também ganham os holofotes os pouco conhecidos Márcia Faria, Felipe Bragança, Marina Meliande, Cavi Borges e Gustavo Melo. Márcia, sobrinha do ator Reginaldo Faria e assistente de direção de Walter Salles e Hector Babenco, é a responsável pelo curta “Estação”, único dos cinco filmes brasileiros que concorre à famosa Palma de Ouro, prêmio entregue no festival. Na trama, uma garota vem do interior para São Paulo e passa a morar no Terminal Rodoviário do Tietê.
O longa “A Alegria”, de Felipe e Marina, e o curta “A Distração de Ivan”, de Cavi e Gustavo, são os outros representantes nacionais. Baseado em fatos reais da vida de Gustavo Melo, “A Distração...” acompanha o processo de amadurecimento do menino Ivan, criado pela avó na Zona Norte do Rio de Janeiro, e foi selecionado para a Semana da Crítica, mostra paralela ao festival. Já “A Alegria”, que terá sessão na Quinzena dos Realizadores, outro apêndice de Cannes, mostra um episódio marcante na vida de Luiza, uma carioca de 16 anos que vai cuidar do primo, atingido por um tiro na Baixada Fluminense, e decide fazer da alegria um lema de vida.
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