Entrevistas / Perfis
12-08-2010 ////////
Werner Schünemann
Ator conta como foi interpretar o espírito Emmanuel
Uma das qualidades mais apreciadas em um ator é a capacidade de interpretar com igual competência personagens díspares. Inescrupuloso na pele do empresário Saulo Gouvêa na novela “Passione”, Werner Schünemann interpreta, no filme “Nosso Lar”, o altruísta espírito Emmanuel, guia e assíduo interlocutor de Chico Xavier. Em entrevista exclusiva à Página do Cinema concedida em meio às gravações da novela, o ator falou sobre sua participação na superprodução que reconstrói a trajetória do médico André Luiz após a morte, psicografada pelo médium mineiro em um de seus best-sellers.
Werner conta que tem curiosidade sobre a morte desde a época em que dava aulas de história e diz que as pessoas se emocionaram mais do que o habitual no set do longa, que estreia no dia 3 de setembro. Ele acredita que os efeitos visuais do longa dirigido por Wagner de Assis, inéditos no cinema nacional, apontam um dos caminhos que a indústria do audiovisual no Brasil deve trilhar, mas, citando o colega Paulo José, afirma que, no momento, não tem a intenção de voltar a dirigir um longa: “A diferença entre o diretor e o ator é que o diretor não se diverte”.
“Nosso Lar” apresenta uma concepção do que nos espera após a morte. Você costuma refletir sobre o tema? Como lida com a certeza da morte?
É um assunto que me faz pensar. Costumo refletir sobre os vários sentidos que as religiões apontam para a nossa passagem por este mundo, relacionados à vida e à morte. Tenho muito respeito e curiosidade pelo assunto desde os tempos em que era professor e dava aulas de história. O tema me atrai como ficção coletiva.
Esta temática costuma tocar as pessoas. Muitas pessoas se emocionaram no set durante as filmagens?
Sim, mais do que as pessoas costumam se emocionar nos sets normalmente. O tema foi tratado com muita delicadeza e respeito. Incorporei o meu personagem, Emmanuel, procurando entender as pessoas que têm fé. Um ator tem que ser capaz de entrar na história e viver intensamente o personagem, emocionar.
“Nosso Lar” traz efeitos visuais inéditos em filmes brasileiros, vistos normalmente em superproduções americanas. O que esses recursos podem agregar ao cinema nacional? Esse é o caminho que as nossas produções devem trilhar?
Pela primeira vez, filmei diante de fundos verdes. Uma experiência interessante, com uma equipe estrangeira de câmera e efeitos visuais. Novos recursos, novas tecnologias, novas invenções sempre agregam. Os efeitos especiais usados no filme foram tratados com muita seriedade e o Wagner cuidou para não deixar escapar a leveza dos personagens, a humanidade que queria imprimir ao filme. Tudo funcionou muito bem. Acho que o cinema nacional tem que trilhar todos os caminhos.
Você tem uma longa relação com o cinema, iniciada no início da década de 80. Atuou em mais de 20 filmes, roteirizou e dirigiu outros tantos, além de já ter assumido funções administrativas em organizações voltadas para o setor. Apesar disso, obteve maior reconhecimento pelos trabalhos realizados na TV nesta última década. Isso te incomoda?
Não me incomoda de maneira nenhuma. Cada veículo tem a sua expressão e o seu público. Gosto muito de fazer cinema e televisão. Sempre soma. Sinto-me tão bem num set de cinema quanto num set de TV. Eu busco sempre mais e não quero nunca achar que já estou pronto, que isso me basta ou que cheguei a um lugar satisfatório.
Você pretende voltar a trabalhar atrás das câmeras nos próximos anos?
No momento não tenho essa vontade, mas posso mudar de ideia. Gosto muito de uma frase do Paulo José: “A diferença entre o diretor e o ator é que o diretor não se diverte”. Enfim, cada atividade tem as suas peculiaridades, seus encantamentos, suas dificuldades. Quero sim estudar mais, aprofundar as experiências. Quando conquistei o primeiro prêmio como ator, minha alegria foi tão grande que aí percebi a diferença, e estou vivendo isso integralmente. Um dos grandes fascínios da vida de ator é a integração da sua imagem com a imagem de cada um dos espectadores.
