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Entrevistas / Perfis

Marco Nanini é Odorico Paraguaçu/Divulgação

22-07-2010 ////////

Marco Nanini

Ator ganha as telas como Odorico Paraguaçu

Marco Nanini coleciona papéis de sucesso no teatro, no cinema e na TV. Interpretou diversos personagens em “O Mistério de Irma Vap”; vive o pai exemplar de “A Grande Família”; encenou o cangaceiro de “O Auto da Compadecida” e foi o marido traído de “Dona Flor e seus Dois Maridos”. Junte-se à lista destes grandes personagens o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, que chega às telas do cinema nesta sexta, dia 23, em “O Bem Amado” (veja o trailer), novo filme de Guel Arraes, numa coprodução Globo Filmes, Natasha Filmes e Miravista.

Nanini já havia interpretado Odorico em 2008, quando fez uma espécie de estágio no teatro antes de levá-lo ao cinema. A adaptação foi feita por Guel Arraes e Cláudio Paiva, que se basearam no texto de Dias Gomes de 1962. Agora, a história chega à telona com um elenco de peso: José Wilker, Zezé Polessa, Drica Moraes, Andréa Beltrão, Matheus Nachtergaele, Caio Blat, Maria Flor, Bruno Garcia e Edmilson Barros.

O roteiro sofreu algumas mudanças em relação à obra original. As irmãs Cajazeiras, que eram beatas, se tornaram peruas, grã-finas. O prefeito já não é mais aquele coronel como na época em que a peça foi escrita. É mais urbano, fala difícil para impressionar. A história de amor proibido entre Violeta, interpretada por Maria Flor, filha de Odorico, e Neco Pedreira, interpretado por Caio Blat, um jornalista opositor de seu pai, também ganhou mais destaque, dando um toque romântico ao filme. Nesta entrevista exclusiva, Marco Nanini revela a importância deste trabalho em sua carreira, conta que não teme comparações com Paulo Gracindo e fala sobre seus próximos projetos.

Como você recebeu o convite pra viver Odorico no cinema?
O Guel me convidou antes de levarmos a história para o palco, mas o filme demorou para sair. A gente resolveu fazer um espetáculo teatral e ali pudemos pesquisar bastante sobre o universo de “O Bem Amado”, principalmente eu, que tive a oportunidade de treinar o Odorico, já que o teatro te possibilita repetir muitas vezes. No palco, peguei intimidade com o personagem e, depois, só precisei me adaptar às novas situações do roteiro e à linguagem cinematográfica.

Você se inspirou no Paulo Gracindo para montar o personagem? Teme comparações?
Não me inspirei e nem temo comparações porque a interpretação dele foi emblemática. Quis traçar o meu próprio caminho baseado nas emoções que sentia quando lia o texto e em como eu construía o pensamento dele. Procuro não ficar com esse tipo de problema porque isso só atrapalha ao invés de ajudar.

Qual é a importância desse trabalho na sua carreira?
Cada trabalho é importante pra mim de alguma maneira, mas esse personagem é emblemático, atravessou vários momentos políticos no Brasil. Fazer um personagem com essa envergadura é sempre interessante para o ator.

Você participou de todos os filmes do Guel Arraes. Como é trabalhar com ele?
Além dos filmes, fiz vários programas de TV com ele. Tenho uma identificação muito grande com o trabalho do Guel, gosto de ser dirigido por ele, que é um diretor muito objetivo, talentoso e conhece o trabalho do ator, então, dá orientações muito precisas. Estou mal acostumado a trabalhar com ele.

O filme está sendo lançado em ano eleitoral. Você acha que a conduta do Odorico pode ajudar a abrir os olhos dos eleitores no momento da votação?
O momento é oportuno porque no filme também tem eleições, existe um conflito político. O que acho mais interessante nesse filme é que o Odorico é um vilão, um homem miserável, mas tem um carisma muito grande que cativa todo mundo. É aí que existe o perigo, quando o povo fica seduzido com o carisma de um candidato e não apura o que ele realmente faz.

Você está no ar há dez anos com “A Grande Família”. Por que a série e o Lineu fazem tanto sucesso com o público?
Não sei te dizer. As novelas são constituídas de vários núcleos familiares e no seriado foi criada uma dramaturgia em cima de uma destas células. Isso cria uma identidade com o espectador muito grande porque é uma família como qualquer outra, como várias famílias brasileiras.

Quais são seus próximos projetos?
Estou ensaiando uma peça que estreia em setembro no Rio de Janeiro chamada “Pterodáctilo” e, no cinema, fiz uma participação em “A Suprema Felicidade”, que estreia em outubro. Continuo com a temporada 2010 de “A Grande Família”.

Veja também o trailer do filme, cenas de bastidores, um discurso de Odorico Paraguaçu, Zeca Diabo em ação, a elegância das Irmãs Cajazeiras e a história de amor de Violeta e Neco Pedreira.

E leia as entrevistas de Guel Arraes, José Wilker e Caio Blat.
 

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