Entrevistas / Perfis
22-06-2010 ////////
Maria Ribeiro
Atriz estreia como diretora com o documentário "Domingos", que será exibido no Cinesul
Maria Ribeiro atriz todo mundo conhece, mas poucos conhecem o talento da moça na direção. Ano passado, Maria exibiu o documentário “Domingos”, que aborda a vida do diretor Domingos de Oliveira, no Festival É Tudo Verdade pela primeira vez. Agora o filme, ainda sem previsão de estreia no circuito comercial, será exibido na 17ª edição do Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo, o Cinesul, dia 26 de junho no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro.
Maria conheceu o diretor na peça “Confissões de Adolescente”, escrita por Maria Mariana, filha de Oliveira, e desde então emendou vários trabalhos com ele. Foi nos bastidores de “Cabaré Filosófico” que Maria começou as filmagens do documentário, que se estenderam por sete anos. O objetivo era mostrar a intimidade de um dos diretores de teatro e cinema mais importantes do Brasil. Nesta entrevista, Maria declara sua grande paixão por Domingos, relata os desafios de filmar “Tropa de Elite 2” apenas um mês depois de ser mãe e revela que ficou com uma ponta de ciúme de Caio Blat nas filmagens de “Histórias de amor duram apenas 90 minutos”.
Por que Domingos de Oliveira?
Trabalhei com ele pela primeira vez em “Confissões de Adolescente” e desde então estive envolvida em diversos projetos do Domingos. Foi amor à primeira vista de ambas as partes. No Domingos encontrei o que eu procurava, pois sempre quis ser uma artista como ele. Gosto de atuar, escrever, dirigir e, com o Domingos, vi que isso era possível. Tive a honra de conviver muito com ele e queria dividir esta experiência com as pessoas, mostrar a intimidade dele. Domingos me disse coisas muito preciosas. Com este filme, o público vai poder conhecê-lo melhor.
O que você descobriu da vida de Domingos que mais te surpreendeu?
Acreditava que o Domingos tinha muita autoestima, mas, no filme, ele se mostrou inseguro. Tem uma passagem do documentário em que ele diz que sua visão do mundo é genial, mas que suas obras são medíocres. Foi surpreendente ver essa fragilidade do Domingos.
Qual a importância que o diretor tem na sua carreira?
Sempre admirei o trabalho do Domingos. Ele teve a ousadia de falar de amor durante o Cinema Novo. Eu me sentia culpada de falar de temas pessoais, da minha vida e de amor e depois que o conheci me senti à vontade para falar de coisas importantes para mim.
Em outubro estreia “Tropa de Elite 2”. Como foi a experiência de filmar a continuação do longa?
Foi bem puxado. Comecei a filmar e o Bento ainda estava com um mês. Quando soube que estava grávida, fiquei com medo de não poder fazer o filme. Não queria perder esta oportunidade. Essa continuação só está sendo feita porque o José Padilha (diretor) tem muito a dizer. Foi um grande desafio fazer este filme, que se passa 15 anos depois do primeiro. Agora a Rosane é mãe de um adolescente, uma vivência que não tenho. Eu e o Wagner usamos maquiagem de envelhecimento para fazer os personagens. Fico super feliz em fazer parte desse filme que provoca uma discussão muito pertinente que ainda não tinha sido tocada.
Foi complicado fazer cenas de sexo com o Caio Blat em “Histórias de Amor duram apenas 90 minutos”?
Foi um pouco complicado porque a gente combinou que nunca ia trabalhar junto. É importante manter a individualidade. Nós tínhamos todos os motivos para não fazer este filme, mas nos apaixonamos pelo roteiro. Então resolvemos correr o risco e foi uma experiência legal. A gente brinca dizendo que vendeu a alma por uma boa causa. Tivemos a permissão para nos meter na edição e até no figurino. Foi muito difícil expor a nossa intimidade e mais ainda mais ver o Caio com outra mulher (sobre as cenas de sexo de Caio com a atriz argentina Luz Cipriota).
Quais são seus próximos projetos?
Faço parte do elenco do filme “Não se pode viver sem amor”, de Jorge Durán, e estou escrevendo um roteiro chamado “Santa Maria do Mar”, que será filmado na França.
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