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Entrevistas / Perfis

07-05-2010 ////////

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Irandhir Santos revela a beleza do filme que ganhou o prêmio de melhor direção no Festival do Rio 2009

Irandhir Santos está em todas! Esse ano, o ator estrela quatro produções nacionais: “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, “Quincas Berro D’água”, “Olhos Azuis” e “Tropa de Elite 2”. Dando vida a personagens completamente distintos de uma maneira admirável, Irandhir vai conquistando cada vez mais seu espaço no cinema nacional. O pernambucano começou no mundo cinematográfico em 2005 com uma pequena participação no filme “Cinema, Aspirinas e Urubus”, quando pisou pela primeira vez em um set de filmagem. De lá para cá, já fez “Baixio das Bestas”, que lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, Quaderna, na série “A Pedra do Reino” e “Besouro”.

“Viajo porque preciso, volto porque te amo”, que estreia esta sexta, dia 7, garantiu o prêmio de melhor direção para Marcelo Games e Karim Ainouz. No longa, Irandhir narra a viagem feita pelo geólogo José Renato, que ao atravessar o sertão brasileiro percebe que o vazio, o abandono e o isolamento presentes nas paisagens também são características de sua personalidade naquele momento. O ator não aparece em nenhum momento na tela, apenas sua voz guia o espectador através das visões de José Renato. Nesta entrevista, Irandhir Santos fala sobre a importância deste longa em sua carreira, comenta a poesia que está presente em todo o filme e revela a emoção de trabalhar com Karim e Marcelo Gomes.

Como é atuar sem aparecer na tela? Foi um trabalho mais difícil que os demais?
Foi um grande desafio para mim porque não é apenas uma narração, é um personagem, e era preciso que isto estivesse impresso na voz. José Renato tinha que ter braços, pernas e coração apenas com a minha voz. Até então eu não tinha percebido a importância da voz para o ator até anular o meu corpo como foi neste projeto. Foi difícil, mas eu tive todo o apoio do Marcelo e do Karim, que foram apontando os caminhos.

Quem é José Renato?
O José Renato é chamado para estudar a geografia do sertão nordestino. Ele vai filmando e narrando as pedras e as vegetações até que começa a perceber que aquilo está influenciando diretamente o estado emocional dele. Aquilo é quase o espelho do abandono emocional que ele está vivendo. O personagem não aparece e isso facilita a intimidade do público com a obra porque você começa a imaginar esse cara de várias maneiras. Se eu aparecesse, talvez eu limitasse um pouco essa abertura de criatividade do público com a obra.

Como foi feito o trabalho de direção? Quais orientações que você recebia dos diretores?

O Marcelo me presenteou com o roteiro e pediu que eu lesse e gravasse livremente o que eu imaginava porque ainda não tinha visto as imagens. Quando eu pude vê-las, entendi o quão inspiradoras elas eram. As imagens são belíssimas, fortes, poéticas e tudo isso está presente no filme o tempo todo. Eu tive apenas um encontro separado com cada um deles e depois outro encontro com os três juntos para o resultado definitivo. Eram as próprias imagens que determinavam o caminho da minha voz.

Como você imagina o grande amor da vida deste personagem?

Tem um momento em que o José Renato está passando pela estrada e ele vê umas crianças tampando buracos na beira da rodovia. Nesse momento, ele encontra nos olhos de uma menina os olhos da mulher que ama. Eu não tinha mais nada de concreto para formatar a imagem na minha cabeça e no meu coração daquela mulher amada a não ser os olhos da criança. É um olhar forte, expressivo, inquietante. É uma cena em que a câmera está parada nos olhos dela e a sensação que dá é que aquele olhar atravessa a tela.

É a primeira vez que você trabalha com o Karim? Como foi a experiência?
Sou um grande admirador das obras do Karim, desde “Madame Satã” e “O Céu de Sueli”. Adoro os filmes como obras e já tinha ouvido falar muito bem dele. Uma grande surpresa pra mim foi ter contato com a pessoa Karim, aí eu pude comprovar que, além de ser um diretor fantástico, ele é uma pessoa extraordinária, sensível e simples. Ele usa as minúcias de seus sentimentos para dirigir seus trabalhos.

Você acha que foi um trabalho solitário?
Para mim, como ator, acho que não porque estavam comigo o Marcelo e o Karim. Mas quando penso como personagem, acho que sim e era preciso ter isso. Ele é um homem que viaja sozinho e reencontra na viagem o espelho da sua vida atual. Era preciso haver solidão para encarar ele mesmo.

Como você classifica este filme na sua carreira?

É uma pérola, um mimo, uma jóia que vou guardar pelo resto da vida. É um filme de muito valor para mim artisticamente e emocionalmente falando.

Irandhir comenta sobre outros trabalhos aqui

Veja aqui o trailer do filme

Leia sobre "Segurança Nacional", outro filme nacional que estreou nesta sexta.

 

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