Entrevistas / Perfis
15-01-2010 ////////
Denise Dummont
Filha de Humberto Teixeira é também idealizadora e produtora do documentário
Mostrar aos filhos um pouco da saga do avô foi o que motivou Denise Dummont a produzir o documentário sobre o pai, Humberto Teixeira. Denise convidou Lírio Ferreira para a direção do filme, que conta a história deste grande nome da música popular brasileira. Nesta entrevista, Denise fala da experiência de ir ao Nordeste para procurar as raízes do pai e afirma que o que encontrou por lá a deixa orgulhosa de ser brasileira.
Como surgiu a ideia do documentário?
Tenho dois filhos e moro fora do Brasil há mais de 20 anos. Vi que meus filhos não sabiam do legado do avô no Brasil. Quando conheci a Ana Jobim em Nova York, vi a obra dela e percebi que deveria fazer a mesma coisa com meu pai, porque a importância dele é extrema para o Brasil e para o Nordeste em especial. Acho que este filme era necessário. Se eu que sou filha não conhecia, imagina as outras pessoas. Mais de 60 anos depois de composta, a música “Asa Branca” ainda influencia as pessoas.
Como foi a sua experiência com o documentário? Visitou lugares que não conhecia? Ficou surpresa?
Para mim foi muito importante conhecer um lado do Brasil que eu não conhecia. Os filmes que aparecem lá fora sobre o Brasil são sobre violência urbana, favela, etc. Quem assiste a estes filmes pensa que o Brasil é só isso, mas não é. Na minha ida ao Cariri descobri que não é só isso. O que vi no nordeste me deu orgulho de ser brasileira. É lindo. Por isso também resolvi mostrar esta face do Brasil para todos. Achei importante mostrar este outro lado, mais alegre e popular.
O que você achou do resultado final?
Acho o filme lindo. O Lírio Ferreira é um diretor excepcional. Ele pegou um assunto que poderia ter ficado chato e transformou em algo maior do que eu mesma imaginava. Ficou lindo e musical. Fiz questão de me cercar das pessoas certas e o trabalho de todas elas enriqueceu muito o filme.
Como foi a escolha do Lírio para a direção e do Walter Carvalho para a fotografia? O Lírio comentou que quando chegou na primeira reunião o Walter Carvalho já estava no projeto.
O Lírio foi indicado pela Angela e pela Leandra Leal. Elas já conheciam o trabalho dele. Ele tem uma ligação forte com a música e adorou a ideia de fazer o documentário. Deu certo. E escolhi o Walter porque queria que o filme fosse lindo visualmente. Fiz cinema e sou apaixonada por cinema, então queria que o filme fosse uma experiência satisfatória sob a ótica do espectador.
