Entrevistas / Perfis
11-12-2009 ////////
Praça Saens Peña
O estreante Vinícius Reis fala sobre o filme que tem Chico Diaz e Maria Padilha
Vinicius Reis escolheu o bairro da Tijuca para cenário do seu primeiro longa-metragem de ficção. Para o diretor, a Zona Norte do Rio é uma parte rica da cidade, mas ainda pouco explorada na cinematografia brasileira. O longa estreia dia 11 de dezembro nos cinemas e traz Maria Padilha e Chico Diaz no elenco. Os dois interpretam um casal que atravessa uma crise conjugal. “Praça Saens Pena” participou do Festival do Rio 2008 e venceu cinco prêmios no Cine PE 2009: Melhor Diretor (Vinicius), Melho Ator (Chico Diaz), Melhor Atriz (Maria Padilha) e Atriz Coadjuvante (Isabela Meireles), além do prêmio especial da critica. Também foi selecionado para diversos festivais de cinema brasileiro no mundo. Leia a entrevista com Vinicius Reis:
Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre uma família tijucana?
Gosto muito da cidade do Rio. Nasci em São Paulo, mas vivo aqui desde 1981 e gosto muito do cinema que é feito aqui e que afirma a cidade: Rio 40 Graus; Copacabana me Engana, Rio Zona Norte, Central do Brasil, Cidade de Deus. São filmes distintos, mas que têm uma coisa em comum: mostram o que há de divino e de insano por aqui. Quis fazer mais um filme para afirmar essa cidade, por isso Praça Saens Peña, que é o coração da Zona Norte do Rio. A ideia de uma família tijucana vem da vontade de trabalhar com coisas que conheço e com as quais tenho intimidade, fico à vontade. Uma família tijucana de classe média me proporciona essa sensação, me faz sentir seguro, em terra firme.
Por que a Tijuca?
Porque é uma “maravilha de cenário”, como diria Silas de Oliveira, que frequenta pouco as telas e telinhas. O Rio de Janeiro habita o imaginário mundial. Qualquer pessoa em qualquer canto do planeta tem pelo menos uma imagem do Rio impressa na memória. Quase sempre são os cartões postais da Zona Sul e de uns tempos para cá a imagem da favela carioca ganhou também esse estatuto de imagem-memória. Quis apontar a câmera e os microfones para outra região da cidade, igualmente pulsante, mas não tão representada na dramaturgia audiovisual.
O que é ser tijucano para você?
É ter uma identidade geográfica bem específica: sou brasileiro, carioca, tijucano. Às vezes essa identidade geográfica também é uma identidade afetiva, às vezes se confunde com um estado de espírito, como o poeta Aldir Blanc já escreveu uma vez. Hoje em dia, com a globalização, todos se sentem um pouco cidadãos do mundo. A identidade geográfica e afetiva perdeu importância, ficou rarefeita. Na Tijuca, essa identidade ainda é forte.
Como você escolheu as locações para o filme? Todas as cenas foram rodadas na Tijuca?
A Tijuca que aparece no filme é a que eu conheço: ruas, calçadas, esquinas, praça que em algum momento frequentei quando morava lá. Hoje moro em Laranjeiras, mas meus irmãos e minha mãe continuam morando na Tijuca. O filme foi todo rodado no bairro. Há somente uma escapada, no meio da história, para o Leblon.
Por que o Chico Diaz e a Maria Padilha?
Certa vez, em uma festa, os dois me perguntaram se eu não tinha vontade de dirigir um filme de ficção. Eles tinham visto o documentário “A Cobra Fumou”, que dirigi, e tinham gostado. No momento em que me perguntaram, fiz silêncio. Pensei na linda cena da última parte de “Matadores”, depois pensei em umas crônicas do Aldir Blanc, misturei Aldir Blanc com Beto Brant, lembrei de umas anotações minhas para um roteiro sobre uma família de classe média. Eu sabia também da enorme vontade dos dois de viverem personagens com os quais não estavam habituados, que fossem desafios. Uma semana depois desse encontro, mandei um argumento para os dois. Era o primeiro esboço do Praça Saens Peña. Eles leram e disseram: vamos em frente!
Como foi a escolha dos outros atores do elenco?
Isabela Meireles foi escolhida entre 50 atrizes, durante vários testes. Desde o início ela mostrou que a Bel era dela. Stela Brajterman também foi através de testes. O Macedo foi escrito especialmente para o Guti Fraga. Conhecia Maurício Gonçalves e Gustavo Falcão pelos filmes que tinham feito e gostava bastante do trabalho dos dois.
Qual o assunto chave do filme?
Uma família que se ama e que, de tanto se amar, extrapola, se atropela, fere, pisa na bola. Mas tudo com muito amor.
O que o público pode esperar do filme?
O público pode se identificar com muitas situações do filme. Acho que há bastante ingrediente para essa identificação. Acho também que a tela de cinema pode se transformar em um enorme espelho.
Qual a sensação de lançar o seu primeiro longa-metragem de ficção?
O prazer se alterna com alguns frios na barriga. Oxalá ilumine essa estreia!
Veja o trailer do filme aqui
