Entrevistas / Perfis
26-11-2009 ////////
Amor de irmão
Aluízio Abranches revela curiosidades sobre Do Começo ao Fim, um dos filmes mais aguardados do ano
Antes mesmo de chegar ao cinema, “Do Começo ao Fim” está dando o que falar. A história de amor entre dois irmãos escrita e dirigida por Aluízio Abranches gerou tanta curiosidade, que o vídeo sobre o filme já foi visto milhares de vezes na Internet. Apesar de abordar temas como homossexualismo e incesto, o diretor garante que o filme trata os assuntos com muita delicadeza e sensibilidade.
Nos papéis principais, estão os jovens Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos, que interpretam Thomás e Francisco, respectivamente. Julia Lemmertz dá vida á Julieta, mãe dos meninos, primeira a perceber que o carinho entre os irmãos é mais profundo do que amor fraterno. Estão no elenco ainda Fábio Assunção, Louise Cardoso, Jean Pierre Noher e os meninos Gabriel Kaufmman e Lucas Cotim.
Nesta entrevista, Aluízio Abranches revela o que o inspirou a escrever este filme, fala sobre a reação do público que já assistiu e comenta o projeto cinematográfico que está produzindo com Christiane Torloni.
O que te inspirou a escrever a história deste filme?
Eu já queria tocar nestes assuntos desde que li “Os Maias” quando adolescente. O livro fala de uma relação entre irmãos. O “Lavoura Arcaica” também tem uma temática parecida. Eu sempre gostei muito destes dois livros, mas preferi inventar a minha história a não fazer um filme sobre uma destas obras. Eu queria contar essa história da minha maneira, então eu fiz quase tudo do jeito que eu quis.
Por que você resolveu tratar de temas como homossexualismo e incesto em seu terceiro longa?
Esses temas só fazem parte do contexto. O filme fala sobre uma história de amor, eu queria falar sobre esse sentimento. Nas pré-estreias, as pessoas vinham me dizer que até esqueciam que existia homossexualidade e incesto no filme porque tudo é discutido com muita delicadeza e naturalidade. Acho importante discutir esses temas. Homossexualismo incomoda a muita gente, mas não pode ser considerado um tabu nos dias de hoje. Não tem nenhum julgamento moral no filme, não levantamos nenhuma bandeira. A partir do momento em que a família dos personagens aceitou o relacionamento, quem são os outros para julgá-los? Eu queria discutir uma possibilidade de amor, seja ela ente dois irmãos, entre homem e mulher ou entre mulheres.
O que você quis passar para o público com este filme?
Eu quis contar uma história de amor. Se isso ajudar aos homossexuais, ótimo, mas não fiz pensando nisso. Tem muita mãe adorando o filme, dizendo que está leve, delicado. Muita mulher inveja a relação monogâmica, fiel e apaixonada que os personagens têm. É interessante mostrar uma possibilidade de relacionamento homossexual feliz e trazer para as telas este amor romântico. As pessoas estão voltando para o romance depois da liberação sexual dos anos 70. É bonito ver este amor de verdade, sem ter que provar nada para ninguém. Acho que consegui fazer um recorte novo destes assuntos. Fiz uma pesquisa muito grande na psicanálise e na filosofia e não encontrei nada sobre amor entre dois irmãos.
Qual é o papel da mãe dos meninos na construção do relacionamento deles?
Quem faz a Julieta é a Julia Lemmertz, uma médica e mãe amorosa. Ela percebe que a relação entre os meninos é diferente e os pais vão percebendo que aquilo é mais do que uma simples curiosidade. Ela é uma mãe à frente de seu tempo, mas não deixa de se preocupar porque não sabe como o mundo vai encarar esse amor. Ela ama os filhos incondicionalmente, então ela reage bem, aceita numa boa.
Como foi feita a escolha do elenco?
Essa é a terceira vez que eu trabalho com a Julia Lemmertz. Além de ela ser uma excelente atriz, temos uma ligação muito boa, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. Somos muito amigos. O João Gabriel veio da CAL, pedi para um diretor amigo selecionar e ele foi muito bem nos testes. Já o Rafael foi indicado pelo Jairo Bauer. Eu testei outros meninos, mas quando o vi percebi que era perfeito para o papel.
Era um pré-requisito que os meninos fossem bonitos?
Não era uma exigência, eu queria um certo brilho, mas não posso negar que eles são lindos. No dia do teste do João Gabriel eu não percebi o tamanho da beleza deste rapaz. Eles são ótimos atores e o filme ficou muito bonito, muito delicado.
O que você privilegiou na direção deste filme?
Eu chamei Ueli Steiger, um suíço que estudou cinema comigo e tornou-se diretor de fotografia responsável por megaproduções como ‘Godzilla’, ‘O Depois de Amanhã’ e ‘O Patriota’. Inclusive, ele deixou de fazer ‘2012’ para fazer ‘Do Começo ao Fim’. Ele tem um olhar diferente que fez toda a diferença. Ele ressaltou a suavidade e trouxe um clima harmonioso para o filme. O editor, Fábio Lima, também contribui muito para o resultado deste filme. Ele é jovem, sem vícios.
O trailer do filme foi visto milhares de vezes na Internet. Você imaginava que o filme ia tomar esta proporção?
Não, está sendo uma surpresa muito boa. As pré-estreias pagas lotaram. Eu não achei que fosse criar polêmica, mas agora acho que gerou mais pela questão romântica entre os personagens do filme do que pelo homossexualismo ou pelo incesto em si.
Você já está trabalhando em um novo filme?
Sim, estou com dois projetos. Um é uma comédia e outro é um trabalho inspirado na “Divina Comédia", junto com a Christiane Torloni.
Veja aqui uma cena que ficou fora do filme
Erros durante a filmagem aqui
E aqui o trailer do filme
Veja aqui entrevista com os atores
