Entrevistas / Perfis
13-11-2009 ////////
Fabio Barreto
Diretor fala sobre o esperado Lula, o Filho do Brasil
A escolha pelo cinema
Quando o meu irmão fez o primeiro curta, eu tinha nove anos de idade. Até o vestibular eu queria ser agrônomo. A maioria dos meus filmes é rural, porque eu gosto de terra, de fazenda. Eu quase não tenho filme urbano. Foi no vestibular que eu decidi fazer cinema e entrar para o ramo da família. O primeiro filme que eu fiz foi “Dona Flor e seus dois maridos”, do meu irmão Bruno Barreto, como assistente de produção. Dentro do útero da minha mãe tinha uma tela de cinema. O Glauber, o Cacá Diegues, o Rui Guerra, entre outros cineastas, frequentavam a minha casa. Acho que decidimos trabalhar com cinema para ter mais atenção dos nossos pais.
O roteiro
A ideia de rodar o filme surgiu do meu pai, que tem uma história parecida com a do Lula. Viajando, ele viu que o Lula era popular no exterior. As pessoas falavam muito do Pelé, mas depois que o Lula foi eleito, as pessoas fora do Brasil começaram a falar do Lula. O roteiro do filme foi feito pela Denise Paraná. Foi ela também que escreveu o livro “Lula, o Filho do Brasil”, a partir da tese de mestrado dela.
Lula
Quando o meu pai conversou com o Lula sobre fazer o filme, ele gostou da idéia, mas disse: “Se for para puxar o saco eu não autorizo”. Também falou que a gente podia fazer o filme, mas ele não queria ter nada a ver com isso. Ele também falou que não podia ter nenhum dinheiro público envolvido. Lula não participou em quase nada do filme, a não ser a trilha sonora. Eu perguntei a ele que músicas ele costumava ouvir muito, para colocar no filme, e ele me disse: “Cidadão” e “Despertar Jamais”, do Ivan Lins. Ele nem viu o filme até hoje.
O presidente
Não importa se atualmente ele é ou não o presidente do Brasil. Isso não facilitou as coisas. Pelo contrário, pois a gente correu o risco de fazer um filme ruim. E o filme fala do nascimento dele até os 35 anos de idade, quando a mãe morre, bem antes dele entrar na presidência. A gente trata do ser humano no filme e desmistifica o mito.
Críticas
Muita gente disse que este filme foi feito favorecê-lo na eleição. Sei que vão chover críticas, mas tenho confiança de que o filme é bom. É uma história exemplar, de um nordestino que saiu do nada e chegou aonde chegou.
A pesquisa
A gente correu o mundo para fazer a pesquisa para o filme. Conversamos com a família dele do nordeste e daqui, também falamos com os sindicalistas do ABC e com as pessoas dos locais onde ele morou.
Glória Pires
A Glória é minha antiga companheira. Ela tinha que ser a mãe do Lula. E a Cléo eu queria muito para ser a primeira mulher dele. Os outros atores foram teste. E o Rui é um grande ator. Ele fez o personagem como nenhum outro ator brasileiro faria.
Referências
Minha maior referência cinematográfica é o próprio cinema brasileiro, com "Vidas Secas", do Nelson Pereira dos Santos, "Macunaíma", do Joaquim Pedro, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", do Bruno Barreto e "Bye Bye Brasil", do Cacá. No cinema internacional é o John Houston.
Trabalhar em família
Trabalhar em família também envolve o plano sentimental e tem a questão do envolvimento afetivo. Tem suas vantagens e desvantagens. As emoções ficam mais à flor da pele e às vezes o trabalho ultrapassa as barreiras. Por outro lado, existe uma relação de confiança maior.
Expectativa
A minha expectativa para o lançamento do filme é grande. Eu gosto do filme. Acho que é um dos meus melhores. É um filme sobre como as pessoas conseguem se superar e atingir os seus sonhos.
Leia aqui sobre a exibição do flme em Búzios
Leia aqui sobre a exibição do filme no Festival de Brasília
Veja aqui o trailer do filme
