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Rápidas

Olívia Guimarães/Divulgação

05-10-2009 ////////

Olívia Guimarães fala de “Corpo do Rio"

Cineasta quer levar filme até comunidades carentes

De onde veio a idéia para o filme Corpo do Rio? Qual o tema central do filme?

Este filme surgiu do desejo de fazer um documentário que celebrasse a cultura carioca por meio de suas expressões corporais. Sempre me interessou o caráter erótico inerente a essa cidade. Não é à toa que esse caráter se transformou em imagens repercutidas pelos quatro cantos da terra e que hoje povoam o imaginário coletivo e a fantasia de muitos. Sabemos que o mundo se sente atraído por esse “jeito carioca de ser” proveniente da mistura de raças, dessa maneira sensual-natural de tocar o outro muito, de se mover e falar de sexo. Coisa de quem gosta e se sente à vontade com o assunto. Ao invés de percorrer os caminhos já trilhados do “corpo” étnico, social, cultural e o histórico dessa evolução, me interessa o resultado dessa “suruba étnica” estampado nas invenções culturais do cotidiano, no corpo que se reinventa e inventa moda. Hoje, além de uma cara, o Rio de Janeiro tem um corpo único, que extrapola sua vocação natural de cidade sensorial. Nesta cidade, o corpo que testa e desafia seus limites, explorando todas as possibilidades estéticas e do prazer é, na minha opinião, absurdo, sexy, chocante, humorado e as vezes trágico. É o “Pancadão do Desejo” bombando nos corações da cidade.

Quais são as suas expectativas em relação ao lançamento do filme?
Levar o filme até as comunidades que documentamos e outras mais, para que o carioca de baixa renda possa se ver e ser visto, através dos olhos de duas cariocas.

Como foi a filmagem?
Queríamos fazer um panorama do Rio de hoje e percebemos que as manifestações do corpo são os signos mais palpáveis da especificidade carioca e juntamos as duas coisas. Percorremos os bairros e descobrimos um Rio cheio de personalidade, ainda familiar e alegre, apesar dos efeitos trágicos do desmanche social. Isso foi em 2005, lá se vão quatro anos. O presente virou passado, mas a cidade foi mais uma vez eternizada e o resultado é um panorama rico e contemporâneo.

Quais são as suas maiores referências cinematográficas?
Há 23 anos trabalho e respiro cinema de ficção, as referencias são muitas. Dentre os contemporâneos: Guel Arraes, Wong Kar-Wai, Paul Thomas Anderson, Wes Anderson, Jean-Pierre Jeunet & Marc Caro, os irmãos Coen, Tim Burton, Michel Gondry e a lista segue, é uma paixão.

Que dicas você dá para quem quer iniciar a carreira no cinema?
Vou citar o diretor Steven Spielberg, "sapatos confortáveis e sentar sempre que puder".

Quais são os seus próximos projetos?
Estou dirigindo duas séries pra TV Globo, "A Grande Família", direção geral de Maurício Faria e "Ó Paí, Ó!", direção geral de Monique Gardenberg, ambas do núcleo Guel Arraes.
 

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