Rápidas
19-01-2012 ////////
A Música Segundo Tom Jobim
Nelson Pereira dos Santos fala do documentário sobre o maestro
Estreia no dia do padroeiro do Rio Janeiro, São Sebastião, o documentário “A Música Segundo Tom Jobim”, um dos cariocas mais ilustres do país. Os diretores Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, neta do compositor, fizeram uma opção ao mesmo tempo ousada e literal: a música é a linguagem exclusiva utilizada para falar da obra daquele que Chico Buarque chamou de “maestro soberano”. Durante os 90 minutos do longa não há depoimentos, narrações, sequer legendas. Apenas a impressionante sucessão de talentosos artistas das mais variadas matizes sonoras interpretando Tom: Elis Regina, Frank Sinatra, Diana Krall, Oscar Peterson, Judy Garland, Paulinho da Viola, para citar poucos. Nelson Pereira dos Santos, que tem pronto outro filme sobre o compositor, fala sobre as duas produções.
Você e o Tom foram contemporâneos; qual era a relação de vocês? Chegaram a ser amigos?
O encontro se deu na fase da vida carioca em que se entrelaçaram o cinema novo com a bossa nova. Cacá Diegues, casado com Nara Leão, foi quem me apresentou ao Tom. Ficamos amigos durante a primeira temporada do famoso show do Canecão, em 1978. Mais tarde, em 1985, realizei com ele uma série de quatro programas para a TV Manchete, com o mesmo título do filme que está sendo lançado agora: "A Música Segundo Tom Jobim".
Os obstáculos para realização do filme passam mais pela fartura do que pela escassez: fartura de imagens, de gravações e de canções. Como fazer esse recorte, escolher uma ou duas gravações de ‘Garota de Ipanema’, por exemplo, em meio a tantas?
O material disponível, alguns terabites, como diz minha parceira na direção, Dora Jobim, é realmente uma fartura, muita coisa para realizar numa peça de 90 minutos, nada mais do que isso, imposto por contrato de distribuição cinematográfica.
A opção por um documentário em que a música fala por si não pode restringir o público àqueles que já conhecem a obra de Tom, afastando talvez uma geração mais jovem?
Não sei se a opção de evitar narradores e/ou comentaristas (as “talking heads”) poderá afastar espectadores mais jovens das gerações que não conhecem a obra do Tom. Vamos ver, é a primeira experiência de fazer um filme de música só com música.
As filmagens de ‘A Luz de Tom’ foram concomitantes? O fato de fazer outro filme mais tradicional deu mais liberdade para poder fazer a opção ousada em ‘A Música Segundo Tom Jobim’?
"A Luz do Tom" foi realizado antes, em 2009, com película 35 mm, um registro da memória de Helena Jobim, Thereza Hermany e Ana Lontra Jobim, destacando-se os momentos em que ele se dedicava à criação musical. A narração só poderia ser realizada através de depoimentos das três mulheres.
Como está a repercussão internacional do documentário, que já foi exibido na Europa e nos Estados Unidos, antes de estrear aqui?
O filme estreou em Nova York, participou dos festivais de Copenhagen, Amsterdam e Santa Maria da Feira (Portugal). Está convidado para mais cinco ou seis festivais, o que significa que poderá realizar boa carreira internacional.
Nos últimos dez anos o cinema nacional se voltou para a MPB: ‘Meu Tempo é Hoje’, sobre Paulinho da Viola (2003); ‘Música é Perfume’, Bethânia (2005); ‘Vinícius’ (2005); ‘Música Para os Olhos’, Cartola (2007); ‘Coração Vagabundo’, Caetano (2008); ‘Palavra Encantada’ (2009). Podemos identificar aí uma tendência, consegue pensar uma razão para isso?
Acho apenas que a música brasileira é tão rica que sempre seduziu os diretores desde o começo do nosso cinema.
- 06-12-2011Leite e Ferro
- 10-11-2011Reidy
- 28-10-2011Tancredo, a Travessia
- 08-12-2011As Canções
- 30-09-2011O Mineiro e o Queijo
- 30-09-2011Avenida Brasília Formosa
