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Curtas

30-12-2009 ////////

Curtas que marcaram época

Cacá Diegues, José Padilha, Cláudio Torres, Suzana Amaral e Vera Egito escolhem seus curtas preferidos

Qual o curta-metragem que fez história no cinema brasileiro? Fizemos esta mesma pergunta a cinco cineastas de diferentes gerações. Apenas um curta é citado pela maioria: o premiado “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado. Lançado em 1989, o filme participou de vários festivais pelo mundo e foi eleito um dos 100 mais importantes curtas-metragens do século pela crítica europeia. O filme recebeu o Urso de Prata de melhor curta-metragem no 40º Festival de Berlim, em 1990, e também o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Gramado, em 1989, onde ganhou mais oito prêmios.
Outro que aparece na lista é “Aruanda”, do cineasta paraibano Linduarte Noronha. Lançado em 1960, o curta é considerado um dos precursores do Cinema Novo o Brasil. Entre os curtas citados, também aparecem nomes contemporâneos, o que mostra que a produção de curtas nacional não para de crescer, e vários curtas ainda vão dar o que falar na história do cinema brasileiro. Veja o que eles acham.

Cacá Diegues
Acho que um curta importante na história do cinema brasileiro moderno é "Aruanda", que foi um filme precursor do Cinema Novo, na passagem dos anos 50 para os 60. Hoje em dia, eu indicaria o Eduardo Valente como um curta-metragista importante no cinema brasileiro contemporâneo, com filmes de grande qualidade e muito premiados, no Brasil e no exterior.

José Padilha
“Ilha das Flores”, por sua narrativa e engajamento social. E o curta-metragista brasileiro que se destacou em suas produções foi o Jorge Furtado.

Cláudio Torres
Sou da geração que levou um susto com “Ilha das Flores”, do Jorge Furtado. Subitamente cinema podia ser moderno, dinâmico, profundo, inteligente e deliciosamente engraçado. Aquele curta ajudou a fazer o cinema brasileiro contemporâneo.

Vera Egito

Alguns curtas fizeram a diferença na produção nacional. "Ilha das Flores", do Jorge Furtado, foi bem marcante. "Texas Hotel", do Cláudio Assis, também teve bastante visibilidade e apontou para os traços autorais do diretor, que depois realizou "Amarelo Manga". Mais recentemente, os curtas do Esmir Filho, "Alguma Coisa Assim" e "Saliva", foram premiados em Cannes e estiveram em festivais importantes. Mas, quando você me pergunta sobre um curta que tenha marcado época, o que me vem à cabeça é um filme que talvez seja o mais bonito do gênero que já vi: "Couro de Gato", do Leon Hirszman. O curta faz parte do "Cinco Vezes Favela", lançado em 1960. A história do menino que apanha gatos pela rua e os vende para virarem couro de tamborim é tão simples e tão tocante. Em poucas notas, com a precisão de um contista, Leon emociona e diverte. Lembro que a primeira vez que assisti a "Couro de Gato" estava na aula de História do Cinema Brasileiro do Carlos Calil. Quando as luzes acenderam para que o debate sobre o filme começasse, tive que ir ao banheiro me recompor, porque estava chorando muito. Incrível como um filme tão curto revela tantos sentimentos em você. Esse é um curta especial, que me inspirou e que, certamente, marcou época.

Suzana Amaral
Ultimamente só tenho assistido aos curtas dos meus alunos. Um deles me impressionou muito e foi levado para o Festival de Brasília deste ano. O título é “O Capitão se Chamava Carlos”.
 

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