Curtas
05-11-2009 ////////
Entrevista com Daniel Queiroz
Coordenador do Festival avalia a mostra 2009
Qual a importância do Festival de Curtas de BH para o calendário de curtas brasileiro?
A importância maior do festival é local, por permitir ao público mineiro o acesso às diferentes obras exibidas. Mas o festival tem sido reconhecido, no meio audiovisual, pelo rigor de suas seleções. Muitos realizadores valorizam bastante a exibição de seus filmes em Belo Horizonte, percebendo-a como um reconhecimento ao trabalho realizado. Além disto, o festival tem investido em atividades de discussão e reflexão, envolvendo os realizadores convidados em debates sobre a criação audiovisual. Este é um caráter de diferenciação em relação a outros eventos nacionais, o desejo de não só exibir, mas também de pensar o cinema e contribuir para a formação de público.
Como são selecionados os filmes que passam na mostra?
A seleção é feita por uma comissão, composta por curadores, realizadores e pensadores da área audiovisual, que buscam os filmes mais expressivos, do ponto de vista artístico, na produção contemporânea e histórica. Existe uma preocupação em ampliar o universo de obras possíveis, abarcando trabalhos realizados por artistas plásticos, mesmo que concebidos originalmente para espaços instalativos. Este ano, houve uma preocupação especial em se reforçar o vínculo do festival com o cinema onde foi criado e acontece, o Cine Humberto Mauro, através das escolhas dos curadores. Este cinema, existente há 31 anos, é o único não comercial da cidade, que dá espaço aos filmes mais importantes da história do cinema e procura reconhecer, na produção atual, o cinema mais original e pulsante.
Além dos filmes, o que mais está programado?
A programação conta com sessões comentadas, por curadores e realizadores convidados, e três mesas de debates: uma sobre a Nova Cinefilia, outra sobre o Circuito de Festivais Internacionais (que contará com a presença de curadores dos festivais de Locarno, Vila do Conde e do BAFICI - festival de cinema independente de Buenos Aires) e uma terceira, denominada “O Lugar dos Festivais”, que pretende discutir o papel desempenhado pelas mostras e festivais de cinema na difusão audiovisual brasileira.
Como você avalia a produção de curtas do Brasil?
Percebo claramente um aumento da qualidade, que guarda relação com o aumento da quantidade produzida, a partir das facilitações trazidas pelos equipamentos digitais. Sinto um frescor e uma vitalidade nos curtas sem correspondência nos longas. É um momento muito positivo para esta produção, com novos e talentosos realizadores surgindo todo o tempo.
E a produção de curtas de Minas?
A força que percebo na produção nacional é ainda maior na produção local. E digo isto sem nenhum bairrismo, mesmo porque o reconhecimento ao curta metragem mineiro tem ocorrido em todo o Brasil e mesmo internacionalmente, haja vista a constante seleção e premiação de obras do Estado. Filmes de diferentes correntes e estilos, muitos deles realizados de forma totalmente independente, tem se destacado nos festivais do gênero. Certamente contribui para isto o fato de muitos realizadores mineiros investirem na produção de curtas ao longo de suas carreiras, e não apenas como um passo para o longa.
Qual a sua expectativa para esta edição do evento?
Esta edição foi concebida como um momento para se repensar o próprio festival, refletir sobre o seu caminho, seu papel e novas possibilidades. Desta forma, as expectativas são as melhores possíveis, pois acreditamos que o festival tem condições de melhorar e ampliar sua atuação, atingindo um público cada vez maior e encontrando uma posição de maior destaque no cenário nacional dos festivais de cinema.
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