Curtas
05-10-2009 ////////
O sucesso do curta além do Youtube
Curtametragistas brasileiros conquistam espaço em festivais importantes como Cannes
Os novos talentos do cinema brasileiro foram mais uma vez destaque este ano em Cannes. Quem conferir a programação de 2009 do festival, vai perceber que os curtas brasileiros roubaram a cena dos longas. A nova geração de cineastas brasileiros apostou neste formato de filme para estrear no mercado. E acertou. Com pólos de produção em Rio e São Paulo, além de Ceará, Rio Grande do Sul e Minas, a produção de curtas no Brasil aumenta a sua qualidade a cada ano. E esta melhora está sendo reconhecida lá fora. Não é a toa que quatro curtas brasileiros foram exibidos no maior festival de cinema do mundo. Vera Egito, Thiago Ricarte e Renata Pinheiro foram os diretores brasileiros estreantes que levaram suas produções para o festival.
A paulista Vera Egito (leia entrevista na íntegra) participou do festival com dois filmes, “Elo”, que abriu a sessão Semana da Crítica, e “Espalhadas Pelo Ar” (veja trecho), exibido com destaque antes da premiação. Vera conta que “Espalhadas” foi o seu projeto de conclusão de curso da faculdade de cinema da USP. Já o filme “Elo” foi rodado graças ao prêmio “Estímulo”, do Estado de São Paulo, em 2007. O curta foi filmado em agosto de 2008, em São Paulo, e chegou às telas este ano.
O também paulista Thiago Ricarte (veja entrevista), exibiu o filme “Chapa” (veja trecho), na mostra dedicada a trabalhos realizados em faculdades de cinema. O filme também foi um projeto de conclusão de curso aprovado pela banca de professores da faculdade. Para suprir as dificuldades financeiras, Thiago dispensou o uso de geradores e refletores. “O projeto foi inteiro rodado com luz natural num período de uns 7 dias na rodovia Fernão Dias, no KM37, em Atibaia, com apoio da Polícia Rodoviária Federal. Tentamos economizar o máximo possível sempre com saídas alternativas que não prejudicassem o conceito e a estética da história”, completa. A pernambucana Renata Pinheiro também participou do festival com o filme “Superbarroco”, na Quinzena dos Realizadores.
Para Cavi Borges, sócio da produtora Cavídeo, os curtas sempre foram um espaço para experimentações e uma possibilidade para testar linguagens e ideias. É por este motivo, segundo o produtor, que normalmente quem ingressa no cinema acaba optando pelo curta. “Conheço muitos diretores que começaram por longas. Fazer curtas não é somente para quem está começando”, completa.
Quem pensa que realizar um curta- metragem é mais fácil do que um longa se engana. A falta de investimento nos curtas faz com que o retorno financeiro de quem está produzindo o filme seja pequeno, o que muitas vezes inviabiliza a produção. Mas produzir um curta-metragem também apresenta vantagens. “Além de ser mais barato e rápido de produzir, este formato apresenta novas possibilidades de exibição, como a internet, celulares, festivais e cineclubes”, afirma Cavi.
E apesar de considerar o curta ser uma escolha estética do diretor, Cavi defende que este formato ainda é marginalizado, mesmo por quem produz cinema. “As pessoas ligam o curta ao realizador amador e principiante, pressupondo uma qualidade reduzida de cinema. Muitos acham que você só se torna realmente um cineasta quando faz seu primeiro longa”, completa. Para derrubar este preconceito, uma das saídas é uma divulgação mais intensa deste formato junto ao público. - As pessoas precisam conhecer e ter acesso ao curta-metragem, porque elas tendem não gostar daquilo que não conhecem. Precisamos encontrar o caminho próprio para o curta, que é diferente do caminho do longa. Temos muita oferta de filmes, mas não conseguimos dar conta de mostrá-los para as pessoas – completa.
Para quem quer iniciar a carreira na área, o produtor dá a dica. - Além de correr atrás do dinheiro, precisa ter uma turma que pense como você e que também queira fazer um filme. Parceiros e parcerias são sempre uma boa opção. Aprender com o outro e juntar forças para superar as adversidades faz parte. Assim nem precisa de tanto dinheiro. Seu parceiro pode conhecer atores interessados, um restaurante que apóie ter uma câmera ou conhecer um técnico de som amigo que tope fazer o projeto de graça. Mas também tem a forma tradicional: participar dos editais de curtas e torcer para que o seu projeto seja selecionado -, explica Cavi.
E para quem já tem um curta e quer exibi-lo nos festivais, vale acompanhar os sites especializados, que apresentam as datas das inscrições e como fazer. O Fórum dos Festivais (www.forumdosfestivais.com.br) e o Kinoforum (www.kinoforum.org.br) são opções para quem quer acompanhar o que está acontecendo na área e investir neste formato alternativo aos filmes comerciais.
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