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30-06-2010 ////////

O Diário de Anne Frank

Milton Gonçalves lidera o elenco

Bruce Gomlevsky perdeu os bisavós judeus no Holocausto e uma das leituras que marcaram sua adolescência foi “O Diário de Anne Frank”. Reencontrou a obra há cerca de dez anos, quando leu um roteiro do espetáculo montado na Broadway. Imediatamente comprou os direitos e resolveu trazer a peça pela primeira vez ao Brasil. Para dirigir, Bruce convidou o norte-americano Robert Castle, judeu e especialista em teatro realista. No palco, um elenco heterogêneo formado pelo veterano Milton Gonçalves, a estreante Yasmin Gomlevsky (irmã de Bruce), Pierre Baitelli, que só faz um mês de temporada antes de voltar ao “Despertar da Primavera”, Débora Olivieri, Isaac Bardavid, entre outros: “Ter o Milton no elenco coloca a peça num outro patamar. Não é apenas mais uma montagem careta de “O Diário de Anne Frank”. Tê-lo gera uma discussão muito interessante para o espetáculo”, diz o produtor. E completa: “A história de Anne Frank é simbólica para qualquer povo que luta pela liberdade, pela esperança e pelo amor. É uma história universal que precisa ser contada”.

Afastado dos palcos há nove anos, Milton Gonçalves ficou muito animado com a possibilidade de voltar ao teatro, onde iniciou sua carreira há meio século. Dizendo-se meio enferrujado, o ator revela que ficou inseguro ao receber o convite, mas logo topou o desafio: “Quando o Bruce me ligou, fiquei meio tonto, mas gosto de briga, gosto de bater de frente, sou abusado, então decidi encarar. Nas tábuas sagradas de um palco a gente tem que exercitar o nosso mais profundo respeito pelo público que ali está. Esta disciplina eu tenho, estava aqui adormecida”. Íntimo da cultura judaica, Milton diz que tem muitos amigos que seguem a religião e conta que começou a fazer teatro por influência de um deles.

Ao discursar sobre o Holocausto, Milton compara uma das passagens mais violentas da história mundial à escravidão: “Os negros vieram da África algemados e tiveram suas famílias divididas para que perdessem suas identidades. Me sinto honrado em participar de um espetáculo como este porque tenho certeza de que isso vai provocar uma análise sobre a história do nosso país”.

Mesmo não tendo um conhecimento vasto sobre a língua inglesa, Gonçalves está se entendendo muito bem com o diretor Robert Castle. Disciplinado, o ator procura atender às exigências do norte-americano. Na pele de Otto Frank, Milton contracena a maior parte do espetáculo com a jovem Yasmin Gomlevsky e não poupa elogios à estreante: “Ela tem uma energia fantástica. Minhas filhas eram iguais a ela na adolescência, muito velozes, espevitadas e atentas a tudo”, diz.

Pierre Baitelli vive Peter Van Daan, um jovem tímido e retraído que descobre o primeiro amor ao dividir a mesma casa com Anne Frank e sua família: “Ele é muito introspectivo, mas vê na Anne a possibilidade de ser diferente. Ela é uma menina espalhafatosa e barulhenta e ele acaba se encantando por ela”. O ator só fica no elenco de “O Diário de Anne Frank” por um mês, já que em 10 de julho reestreia a nova temporada do musical “O Despertar da Primavera” em São Paulo. O ator será substituído por João Pedro Zappa, que contracenou com Pierre na minissérie “Cinquentinha”, da TV Globo.

Preparar-se para esta montagem foi um desafio e tanto para Pierre, que precisou ensaiar ao mesmo tempo “O Diário de Anne Frank” e “Hedwig e o Centímetro Enfurecido”, que estreia no Rio de Janeiro em agosto. Com direção de Evandro Mesquita, Baitelli e Paulinho Vilhena farão travestis no musical. As principais dificuldades encontradas por Pierre neste novo projeto é aprender a andar de salto, se adaptar a ter uma peruca na cabeça e saber como sentar-se usando uma minissaia: “A intenção é não deixar o personagem cair em uma caricatura. Acho mais interessante observar a expressão corporal de mulheres do que a de um travesti porque acho que desta maneira o papel não ficará tão estereotipado. Ainda tenho muito chão pela frente para construir o Hedwig”, revela o ator.

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