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06-06-2009 ////////
A Festa da Menina Morta
Depois de ter estreia mundial no Festival de Cannes de 2008, filme de Matheus Nachtergaele entra em cartaz
Matheus Nachtergaele não escolheu o caminho mais fácil para seu filme de estreia como diretor cinematográfico. Optou por uma história forte, com temas como incesto e misticismo, rodada na Amazônia – mais precisamente em Barcelos, no Amazonas, à beira do Rio Negro. Pois a coragem do realizador estreante foi mais do que premiada.
Para começar, “A Festa da Menina Morta” foi convidado para participar do Festival de Cannes de 2008 – e logo na prestigiada mostra Un Certain Regard, dedicada geralmente a filmes pouco convencionais e inventivos, onde teve sua estreia mundial. E teve uma bem-sucedida carreira em festivais, antecipando a expectativa para sua estreia no circuito nacional, na próxima sexta-feira.
“Festa” ganhou prêmios no 36º Festival de Gramado (Melhor Ator, Melhor Fotografi a, Prêmio Especial do Júri, Melhor Música, Prêmio da Crítica, Melhor filme do Júri Popular), Festival do Rio 2008 (Melhor Direção de Ficção, Melhor Ator), e 44º Chicago International Film Festival (The Gold Hugo – Melhor Filme de Diretor Estreante).
Tanto sucesso se deve, além da direção de Matheus, ao grande elenco, encabeçado por Daniel de Oliveira e que também conta com Jackson Antunes, Dira Paes e Cássia Kiss, entre outros. Isso tudo para contar a história de Santinho, alçado à condição de líder espiritual numa comunidade ribeirinha do Alto Amazonas, a partir de um “milagre” realizado por ele após o suicídio de sua própria mãe. “Como tinha atores profissionais e pessoas que nunca fizeram cinema, queria aproximá-los, queria que se acostumassem uns com os outros e que se sentissem ‘contaminados’ pelos temas do filme. Apenas mais tarde, quando Lula Carvalho (diretor de fotografi a) chegou a Barcelos, fomos para as locações e começamos a improvisar as cenas, criando juntos os desenhos de cada sequência”, conta Matheus sobre seu processo de trabalho. Outro destaque do filme é a participação de Paulo José, que visitou o set e acabou no filme. “Ele disse que poderia fazer um padre, um louco ou um bêbado. Eu sugeri que ele fizesse um padre louco bêbado”, conta o diretor.
